quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Maturidade.

Já não dou mais tchau sem que todo o meu braço se mova; Já não dou um sorriso sem que “vigas” se façam em meu rosto; Há muito minha barriga “tanquinho” deu lugar a curvas e um volume que aprendi a cultivar com certo carinho; Minha bunda já não é mais empinada como há 15 anos.
Se fosse avaliar tudo isso tempos atrás, me desesperaria e correria para me matricular na primeira academia que visse. Hoje, com 30 anos, eu me vejo com outros olhos e mesmo com tudo isso que alguns vêem como defeito, mas nada mais é que processo vital, pasmem: eu me gosto muito mais. Gosto, porque hoje eu passei a apreciar valores mais sólidos que uma bunda ou uma barriga no lugar. Hoje eu fortaleço o meu cérebro e o meu coração com uma “malhação” regada a letras, ensinamentos e filosofia de vida. Sou muito mais sábia e muito mais segura que uma garotinha de 18 anos e com a vantagem de me sentir da mesma forma que ela: COM UMA VIDA TODA PELA FRENTE.
Hoje não me incomodo se me chamam de velha, coroa, titia. Chego em casa, coloco uma lingerie bem sexy e me mostro/dispo pro meu bem sem vergonha ou pudor. Porque eu aprendi a me amar assim: com celulite, com estrias, com gordurinhas localizadas, com alguns cabelos brancos, mas também com um papo super interessante, uma maturidade “aguçada”, um bom humor aflorado à pele e uma sagacidade que não pensei sentir aos 30.
Talvez tudo isso tenha me feito até ser mais seletiva. Eu já não procuro em alguém um corpo sarado, uma voz grossa, um sorriso perfeito, pernas torneadas ou cabelo caindo no rosto. Consigo ver além das aparências e isso vale mais que qualquer coisa. Troco horas e horas de beijos molhados e ardentes por um bom papo regado a um bom vinho e muitas gargalhadas. Sim, porque rir ainda é o melhor remédio e eu gosto muito. Sexo é muito bom e todo mundo gosta, lógico, mas também aprecio muito uma noite agarradinha, sem que nada, além da troca de calor, carinho e cumplicidade aconteçam.
E pra estar ao meu lado hoje é preciso que a pessoa que escolhi esteja em sintonia comigo e veja o mundo com esse mesmo olhar mais leve e ameno que a maturidade me deu. Porque a vida é simplesmente isso, leveza. Do contrário minha solitude, que é bem diferente de solidão, me agrada mais. Porque hoje eu quero alguém que me seja companhia e não acompanhante. Quero alguém que me leve pela mão e mostre coisas ainda mais lindas de se ver e aprender por esse mundo afora. Quero alguém que queira estar comigo porque quer, porque gosta de mim como sou e, sobretudo, porque deseja se somar a mim em busca do melhor. Pra mim, pra ele, pros outros, pro mundo.
Que não procure a perfeição, mas que aprenda e me ensine a conviver com meus/seus erros. Que não me compare, que não deseje que eu seja assim ou assada. Que veja em mim uma amante sem frescuras, uma amiga fiel, uma esposa esforçada, uma mãe dedicada, uma mulher dinâmica e realizada. E que simplesmente me queira na vida dele e esteja feliz por isso, porque certamente eu serei feliz em estar na vida dele pelos mesmos motivos.
Talvez exista alguém por aí buscando a mesma coisa que eu. Alguém que saiba aliar vida profissional e pessoal com maestria. E é essa pessoa que eu espero surgir na minha vida.  Não vou desistir de achá-lo. Porque eu ainda acredito no amor, ainda acredito em caráter, companheirismo, honestidade, fidelidade e lealdade. Pode soar cafona ou brega, mas é assim que penso e sou. E é com uma pessoa com essas qualidades, que eu pretendo envelhecer. Até que a morte nos separe.